A Cesan (Companhia Espírito-santense de Saneamento) concluiu e publicou seu primeiro Inventário Corporativo de Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE), referente ao ano base 2025, no Registro Público do Programa Brasileiro GHG Protocol. A publicação posiciona a Companhia entre as principais empresas de saneamento brasileiras com inventário público e se alinha à política climática estadual, seguindo na prática as diretrizes do Decreto Estadual nº 6.412-R/2026.
Ao publicar voluntariamente seu inventário, a CESAN não apenas se antecipou à exigência do decreto, mas também se alinhou às melhores práticas observadas no mercado de saneamento nacional, com cobertura técnica superior à média do setor brasileiro.
O inventário cobriu as três fronteiras de emissões previstas no GHG Protocol, emissões diretas das operações (Escopo 1), emissões da energia elétrica adquirida (Escopo 2) e emissões da cadeia de valor (Escopo 3), incluindo sete categorias da cadeia produtiva. A consolidação considerou tanto a infraestrutura sob operação direta da CESAN quanto a parcela operada por meio de Parcerias Público-Privadas, com três contratos ativos no ano-base 2025 e ampliação prevista para os próximos ciclos.
Um dos achados centrais tem implicação direta para o debate sobre universalização do saneamento como agenda climática: cada cidadão atendido com tratamento adequado pela CESAN representa cerca de 25% menos emissões de gases de efeito estufa por ano em comparação ao cidadão sem coleta, cenário em que o esgoto vai para fossas, valas ou lançamentos diretos em corpos d’água. Ampliar a coleta e o tratamento, portanto, não é apenas uma agenda sanitária — é também ação direta de mitigação climática.
“O inventário não termina no número final”, afirma Alaimar Ribeiro Rodrigues Fiuza, Coordenador de Sustentabilidade da Cesan. “O processo envolveu a capacitação de lideranças da Companhia em mensuração de emissões e gestão climática, e essa formação fica como ativo permanente. Medir é o primeiro passo; transformar a operação a partir do que medimos é o que constrói uma empresa de saneamento alinhada à transição climática”, afirmou.
Para Guilherme Barbosa, da consultoria ECO55, responsável pela elaboração técnica do inventário e pela capacitação das lideranças da Companhia, o setor de saneamento ocupa lugar singular na agenda climática brasileira. “À medida que crescem os investimentos em coleta e tratamento adequado, cresce também a contribuição do saneamento à mitigação. É uma das alavancas mais subestimadas do país. Com investimentos em inovação e em tecnologias adicionais no tratamento e nos materiais utilizados nas obras de infraestrutura, a redução de emissões pode ir muito além. Inventariar é o ponto de partida para direcionar investimento ao que de fato reduz emissões, e instrumentos como o Decreto Estadual e o Fundo de Descarbonização capixaba são pontes legais e financeiras concretas para acelerar essa transformação no Estado.”
O inventário publicado é a base do Plano de Descarbonização que a CESAN desenvolverá internamente ao longo de 2026. Publicado em 12 de maio deste ano, o Decreto nº 6.412-R/2026 determina que a administração pública estadual passa a ter o dever de medir, reportar e agir para reduzir suas emissões de GEE e que os órgãos e entidades da gestão estadual capixaba realizem seus inventários de emissões de GEE, com a finalidade de integrar a variável climática à gestão pública, induzindo a adoção de práticas sustentáveis de governança, contratações de bens, serviços e obras com critérios de baixa emissão e medidas destinadas à redução progressiva das emissões, em consonância com os compromissos climáticos assumidos pelo Estado.
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